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Quem Errou?

As brigas mais decididas

As brigas em que quase todo mundo concorda. Você pensa igual?

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Dividir apartamentoDilema da redação

Meu colega de apê transformou a sala em escritório: quem tem razão?

Meu colega de apê trabalha em home office quatro dias por semana. O quarto dele é minúsculo, então ele se instala na sala, das 9h às 18h. Monitor grande, teclado, headset e reunião por vídeo o dia inteiro. Eu trabalho em turnos alternados e costumo estar em casa à tarde. Não posso mais ver TV, nem cozinhar sem me preocupar com o barulho das panelas, nem atravessar a sala de pijama, porque os colegas dele me veem no fundo da câmera. Me sinto visita na minha própria casa. Pedi para ele trabalhar no quarto. Ele respondeu que não tem espaço para uma mesa.

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Joguei fora o frango marinado do meu colega de apê: quem errou?

No nosso apê, ninguém limpa a geladeira. Então sou eu que faço isso, todo domingo à noite. Minha regra é simples: tudo que está largado sem tampa nem etiqueta vai para o lixo. Naquele domingo, encontrei uma travessa cheia de frango num molho misterioso, sem nada por cima. Joguei fora. Era o frango do meu colega de apê, que estava temperando havia dois dias na receita da avó dele para um churrasco com os amigos. Ele ficou arrasado. Diz que eu devia ter perguntado. Eu acho que travessa sem tampa nem etiqueta é travessa abandonada.

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Dividir apartamentoDilema da redação

Adotei um gatinho sem perguntar aos meus colegas de apê: errei?

Uma colega de trabalho estava procurando lar para uma ninhada de gatinhos. Vi um numa foto, pequenininho, laranja, com uma orelha dobrada. Amor à primeira vista. Levei ele para o apê na mesma noite. Pensei que meus dois colegas iam se derreter. Um se derreteu. A outra, nem tanto: ela não é muito de gato e tem medo de que ele estrague o sofá, que é dela. Desde então, o gatinho afiou as unhas no braço do sofá e dormiu no cesto de roupa suja dela. Ela me pede para achar uma solução. Eu acho que ela exagera: ele pesa oitocentos gramas.

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Dividir apartamentoDilema da redação

Faço burpee às 6h na sala do apê dividido: estou exagerando?

Finalmente encontrei uma rotina de exercício que funciona para mim: vinte minutos de treino às 6h da manhã, antes do trabalho. Polichinelo, burpee, flexão, com vídeo de personal no celular. No meu quarto não tem espaço, então eu me instalo na sala. Uso fone para não incomodar ninguém. Mas meus dois colegas de apê reclamam: dizem que o piso treme, que dá para ouvir cada pulo dentro dos quartos e que eu bufo “igual uma locomotiva”. Acho isso injusto: a sala é de todo mundo, e às 6h ninguém usa. Eu faço exercício, não festa.

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Dividir apartamentoDilema da redação

Namorado da colega de apê mora com a gente de graça: tenho razão?

Somos três dividindo o apê. Quer dizer, éramos. Há alguns meses, o namorado de uma das minhas colegas de apê dorme aqui cinco noites por semana. Ele toma banhos de vinte e cinco minutos de manhã, bem na hora em que eu preciso me arrumar. Janta com a gente, usa a máquina de lavar e até instalou o videogame dele na sala. Ele é gente boa, de verdade. Mas não ajuda nem no aluguel, nem no condomínio, nem nas contas, nem no papel higiênico. Sugeri que ele contribuísse um pouco com as despesas, ou que viesse um pouco menos. Minha colega levou a mal. Disse que eu quero controlar a vida amorosa dela.

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Dividir apartamentoDilema da redação

Meu colega de apê prova “só um pouquinho” das minhas compras: chega?

Meu colega de apê não rouba minhas compras. Ele prova. Uma colherada em cada iogurte. Um quadradinho de cada barra de chocolate. Três batatinhas do pacote, uma fatia de presunto a cada seis. Nunca o suficiente para ser escancarado, sempre o suficiente para eu perceber. Ele acha que não dá para notar. Dá. Comecei a colar etiquetas com meu nome nas minhas coisas. Ele achou isso “meio agressivo para quem divide apartamento”. Então comprei uma caixinha com cadeado para a geladeira. Desde então, ele me olha como se eu tivesse instalado um cofre na cozinha.

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AmigosDilema da redação

Não fui convidada para o aniversário da minha amiga: fico chateada?

Tenho uma amiga com quem almoço sempre, e a gente se fala quase todo dia no WhatsApp. No meu aniversário, eu a convidei, claro. No dela, descobri pelos stories do Instagram que ela tinha feito uma festa em casa, com umas quinze pessoas. Eu não estava convidada. Reconheci colegas de trabalho dela, a irmã e dois amigos que temos em comum. Doeu de verdade. Durante vários dias, demorei mais para responder às mensagens dela, sem falar nada. Depois toquei no assunto, meio seca. Ela me deu uma explicação, mas não sei se devo acreditar, ou se simplesmente sou menos próxima dela do que eu imaginava.

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AmigosDilema da redação

Cobro caução para emprestar livros ao meu amigo: sou mão de vaca?

Eu amo livros e cuido muito bem dos meus. Meu melhor amigo também ama livros, mas do jeito dele: dobra a ponta das páginas, lê na praia e usa fatia de presunto como marcador. Exagero só um pouco. Três romances meus voltaram cheios de areia e com as páginas onduladas, um deles com uma mancha de molho de tomate. Então, da última vez que ele me pediu um livro, cobrei R$ 20 de caução, devolvidos quando o livro voltasse em bom estado. Ele caiu na gargalhada, depois entendeu que eu não estava brincando. Disse que eu estava transformando nossa amizade numa biblioteca pública.

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AmigosDilema da redação

Meu amigo rouba na bocha e eu levei uma trena a laser: quem exagerou?

Todo verão, minha turma aluga uma casa em Ubatuba e a gente joga partidas intermináveis de bocha no quintal. Um dos meus amigos tem uma mania: quando vai medir, empurra o bolim de leve com o pé. Todo mundo vê, ninguém fala nada. Este ano, eu levei uma trena a laser, comprada especialmente para isso. Medi cada ponto, no milímetro, em voz alta, tirando foto das bolas. Depois de três partidas, ninguém mais queria jogar comigo. Meu amigo me apelidou de “VAR da bocha”. Eu acho que, pelo menos agora, os pontos são justos.

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AmigosDilema da redação

Minha amiga trocou nossas trilhas de domingo pela corrida: desisto?

Eu e uma amiga fazemos trilha juntas todo domingo de manhã há anos. Trilhas tranquilas, com parada para o bolo no alto do morro e muita conversa. Era o nosso momento. Há alguns meses, ela começou a fazer corrida de trilha. Desde então, ela quer correr. Ela me chama para ir junto, mas eu não corro. Vejo ela sumir na frente, encontro ela na chegada, sem fôlego e feliz da vida, e a gente volta para casa. Quase não conversamos mais. Falei que sentia falta. Ela respondeu que precisa se superar e que eu também podia treinar. Não tenho a menor vontade de me superar no domingo de manhã.

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AmigosDilema da redação

Errei ao levar meu namorado no aniversário da minha amiga sem avisar?

Uma amiga comemorou trinta anos com um jantar na casa dela, para umas dez pessoas. Eu tinha acabado de conhecer alguém, e estava tudo indo muito bem. Pensei que era a ocasião perfeita para apresentá-lo a todo mundo. Não avisei minha amiga, para fazer surpresa. Quando cheguei, vi a cara dela mudar. Ela teve que arrumar mais uma cadeira, recortar os pedaços de lasanha, e meu namorado acabou num banquinho da cozinha, espremido do lado da geladeira. Ele foi um amor a noite toda. Mas minha amiga ficou de cara feia comigo no dia seguinte. Eu acho que uma pessoa a mais não é nenhum drama.

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AmigosDilema da redação

Me recusei a ajudar meu melhor amigo na mudança: eu errei?

Meu melhor amigo vai se mudar. De novo. É a quarta vez em seis anos. Ele está saindo de um quinto andar sem elevador para um quarto andar sem elevador. Ele tem um piano. Me pediu para ajudar num sábado. Eu disse não. Aquele sábado é a minha única folga do mês, e eu tinha planejado não fazer nada, com muita convicção. Ofereci pagar as pizzas para a equipe toda, no lugar. Ele levou muito a mal. Me lembrou que, em tese, eu sou o melhor amigo dele. Eu acho que melhor amigo também tem direito a um sábado.

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AmigosDilema da redação

Meus amigos me transformaram na motorista oficial do sábado à noite

Na minha turma, eu sou a única que tem carro. No começo, eu gostava de ajudar. Depois virou automático. Todo sábado, alguém escreve no grupo: “Quem leva a gente?”, e todo mundo me marca. Eu faço três desvios para buscar cada um, nunca posso ir embora quando quero, espero os últimos pararem de dançar e deixo todo mundo em casa lá pelas 3h da manhã. Ninguém se oferece para rachar a gasolina. Num sábado, avisei que ia de metrô e Uber, como eles. Me chamaram de egoísta. Eu achei que eles tinham um táxi de graça.

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AmigosDilema da redação

Dou um horário falso pro meu amigo sempre atrasado: é errado?

Tenho um amigo incrível, engraçado, generoso e sempre atrasado. Não é cinco minutos: é quarenta e cinco, no mínimo. No cinema, a gente perdeu o começo de todos os filmes. No restaurante, já me pediram para liberar a mesa antes de ele chegar. Então eu criei uma técnica: marco com ele uma hora antes do horário real. Funcionava perfeitamente. Ele chegava na hora certinha, sem saber. Até o dia em que ele chegou no horário que eu tinha passado. Ficou me esperando uma hora na chuva, entendeu tudo e ficou muito chateado. Disse que eu o tratei como criança.

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SogrosDilema da redação

Cuidar do cachorro do meu cunhado por três semanas: eu aceito?

Meu cunhado vai passar três semanas fora do país a trabalho. Pediu para a gente ficar com o cachorro dele. Um cachorro grande, muito bonzinho, muito agitado, que precisa de dois passeios longos por dia. Meu marido disse sim na hora, sem falar comigo. Eu fiquei na dúvida. A gente mora num apê de um quarto no terceiro andar, eu trabalho de casa, e sei muito bem quem vai cuidar do passeio do meio-dia. Da última vez que ficamos com ele num fim de semana, ele comeu uma almofada. Meu marido diz que é família e que não dá para recusar. Sinto que me colocaram diante do fato consumado.

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SogrosDilema da redação

Sair às 5h ou às 10h? Com meu sogro, a gente foi em dois carros

Todo mês de janeiro, a gente encontra a família do meu marido em Florianópolis, a oito horas de estrada. Fazemos a viagem junto com meu sogro, que mora perto da gente. Ele quer sair às 5h da manhã, “para fugir do trânsito”. Eu quero sair às 10h, depois de um café da manhã decente, porque às 5h eu não consigo juntar duas palavras. Este ano, ninguém cedeu. Resultado: dois carros. Ele saiu às 5h, a gente às 10h. Ele chegou às 13h e mandou uma foto de sunga na beira da piscina. A gente chegou às 21h, depois de seis horas de engarrafamento na BR.

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SogrosDilema da redação

Minha sogra quer que eu a chame de “mãe”: devo aceitar?

Estou com meu namorado há seis anos e me dou bem com a mãe dele. Ela é carinhosa, nunca esquece meu aniversário e me chama de “querida”. Num domingo, na hora da sobremesa, na frente de todo mundo, ela me pediu para chamá-la de “mãe”. Falou com muito carinho. Eu gaguejei alguma coisa. O problema é que eu já tenho mãe, sou muito próxima dela, e essa palavra, para mim, é só dela. Então continuo chamando minha sogra pelo nome. Ela parece um pouco magoada. Não quero chateá-la, mas também não quero me forçar.

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SogrosDilema da redação

Cochilo no sofá dos meus sogros todo domingo: é falta de educação?

Uma vez por mês, a gente almoça na casa dos meus sogros no domingo. O almoço começa ao meio-dia e termina lá pelas 15h. Depois, todo mundo fica na mesa jogando buraco até a noite. Eu não jogo buraco, e depois de uma macarronada com frango assado daquelas, eu desmaio de sono. Então eu me ajeito no sofá da sala e tiro um cochilo de uma ou duas horas. Não incomodo ninguém, não faço barulho e acordo na hora do cafezinho. Meu marido disse que os pais dele acham isso uma desfeita. Não entendo: prefiro dormir em paz a fingir interesse no baralho.

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SogrosDilema da redação

Preferi o panetone do mercado ao da minha sogra: fui sincera demais?

Todo Natal, minha sogra faz o panetone caseiro dela. É o orgulho da casa. Este ano, ela serviu dois panetones na ceia: o dela e um comprado no mercado, “para comparar”. Pediu a opinião sincera de cada um. Todo mundo disse que o dela era melhor. Eu quis ser honesta. Disse que preferia o do mercado, porque era mais fofinho. Silêncio total. Meu marido me fuzilou com o olhar. Minha sogra sorriu, mas me serviu fatias minúsculas de sobremesa até o fim das festas. Ela pediu uma opinião sincera, não pediu?

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SogrosDilema da redação

Meu cunhado acha que eu sou o suporte técnico da família: chega?

Eu trabalho com TI. Para a família da minha esposa, isso quer dizer que eu sei consertar tudo: impressora, roteador, TV, celular que “faz um barulho estranho”. Meu cunhado é o campeão. Em todo almoço de domingo na casa da sogra, ele chega com o notebook debaixo do braço, e eu passo a tarde instalando atualização enquanto o resto da família joga truco. No último aniversário do meu sogro, eu disse não. Com jeitinho, mas não. Passei o contato de um técnico do bairro. Ele ficou de cara fechada o almoço inteiro, e minha sogra disse que eu sou “pouco família”.

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SogrosDilema da redação

Meu sogro fez uma horta no nosso gramado sem pedir: e agora?

Eu e o meu marido finalmente temos uma casa com um quintalzinho. Um gramado, dois arbustos, uma mesa. A gente adora essa simplicidade. Durante as nossas férias, o meu sogro veio “dar uma olhada na casa”. Quando voltamos, um quarto do gramado tinha sumido. No lugar: uma horta. Tomate, abobrinha, feijão-vagem, e um espantalho vestido com uma camisa velha do meu marido. Ele estava muito orgulhoso. Eu fiquei em choque. Não tenho a menor vontade de cuidar de uma horta, e eu gostava do meu gramado. Falei isso para ele, com educação. Ele respondeu que, daqui a três meses, a gente ia ver quem ri por último.

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SogrosDilema da redação

Minha sogra aparece sem avisar com a chave reserva: é abuso?

Quando a gente se mudou, demos uma chave para a minha sogra, “para emergências”. Ela mora a dez minutos. Desde então, a emergência acontece mais ou menos uma vez por semana. Ela passa enquanto a gente trabalha para “regar as plantas”. As nossas plantas são de plástico. Ela sabe. Às vezes, deixa uma travessa de comida na geladeira, o que é um amor, e às vezes dobra a nossa roupa, o que é mais estranho. O porteiro já cumprimenta ela pelo nome. Um dia, cheguei mais cedo e dei de cara com ela vendo novela, no nosso sofá, com um cafezinho. Pedi ao meu marido para pegar a chave de volta. Ele acha que eu estou exagerando.

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FamíliaDilema da redação

Meus pais emprestam a casa da represa para o meu irmão, nunca para mim

Os meus pais têm uma casinha na beira de uma represa, no interior, que eles quase não usam mais. Há três verões, o meu irmão passa o mês de janeiro inteiro lá com os amigos. De graça. Para mim, nunca ofereceram. Quando toquei no assunto, os meus pais pareceram surpresos, como se a ideia nunca tivesse passado pela cabeça deles. Eu me senti o filho esquecido. O meu irmão diz que é só eu pedir. Mas eu não quero pedir: quero que me ofereçam, como ofereceram para ele. Acho que isso deveria ser óbvio.

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FamíliaDilema da redação

Minha irmã rouba no Banco Imobiliário: quem estragou o Natal?

Na minha família, na noite de Natal, a gente joga Banco Imobiliário. É tradição. E também é tradição a minha irmã ser a banqueira. Este ano, vi quando ela enfiou uma nota de 500 debaixo do tabuleiro. Depois, outra. Falei em voz alta. Ela negou, rindo. Insisti, e ela riu ainda mais alto. Então guardei o meu peão, larguei as minhas propriedades na mesa e fui ficar emburrado na cozinha, com o panetone. A minha mãe diz que eu estraguei a noite. Eu acho que quem estragou a noite foi o banco central da família.

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FamíliaDilema da redação

Minha mãe quer ligação todo dia, eu uma por semana: quem tem razão?

Desde que me mudei de Recife para Porto Alegre por causa do trabalho, a minha mãe me liga todos os dias. Às 19h em ponto. Se eu não atendo, ela liga de novo às 19h15 e depois manda mensagem: “Tá tudo bem?” Eu amo muito a minha mãe, mas não tenho muita coisa para contar toda noite. Na terça, comi macarrão. Na quarta também. Acabei propondo uma ligação por semana, no domingo, mais longa, para a gente contar a vida de verdade. Ela não gostou. Disse que eu não preciso mais dela. Eu só preciso das minhas noites.

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FamíliaDilema da redação

Quem merece o quarto com vista para o mar na casa da praia?

Os meus avós têm uma casinha em Ubatuba, onde a família inteira passa uma parte das férias de janeiro. Tem um quarto com vista para o mar e outros três que dão para a garagem. Há anos, ele é do meu irmão e da namorada dele, porque eles sempre chegam primeiro. Este ano, eu cheguei antes e me instalei lá, mala aberta e toalha estendida na cama. O meu irmão chegou à noite e me pediu para mudar de quarto, porque “é a tradição”. Eu acho que uma tradição é só um costume que ninguém nunca teve coragem de questionar.

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FamíliaDilema da redação

Minha mãe doou meus gibis de infância para um bazar: quem errou?

Na casa dos meus pais, ainda tinha três caixas dos meus gibis de infância no quartinho dos fundos. Revistinhas lidas e relidas, algumas com anotações a lápis. Eu pretendia buscar um dia, quando tivesse um apartamento maior. Numa visita, descobri que a minha mãe tinha doado tudo para o bazar da escola do bairro. Tudo. Ela guardou duas revistinhas “de lembrança”. Fiquei arrasado. Falei que ela devia ter me perguntado. Ela respondeu que perguntou. Várias vezes. Ao longo de vários anos. Eu não lembro muito bem, mas acho que isso não muda nada.

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FamíliaDilema da redação

Estou errado em me recusar a lavar a louça na ceia de Natal?

Todo ano, a família inteira se reúne na casa dos meus pais para a ceia de Natal. Somos umas vinte pessoas. Depois da comida, a minha mãe distribui as tarefas: uns tiram a mesa, outros lavam, outros secam. Eu me recuso. A minha lógica é simples: quem é convidado não lava louça. É educação básica, não é? Além disso, eu levei a sobremesa, um pavê caseiro que me tomou a tarde inteira. Enquanto os outros esfregam, eu brinco com os meus sobrinhos na sala. Este ano, a minha irmã me estendeu um pano de prato me chamando de “príncipe do Natal”. Todo mundo riu, menos eu.

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FamíliaDilema da redação

Meus pais transformaram meu quarto de adolescente em academia

Saí da casa dos meus pais há oito anos. Mas o meu quarto de adolescente continuava igualzinho: os pôsteres, a cama de solteiro, as medalhas de natação. Era o meu refúgio quando eu voltava para o Natal e o Ano-Novo. Na última visita, surpresa: tem uma esteira, uma bicicleta ergométrica e um espelho gigante. As minhas coisas estão em caixas na garagem. Ninguém me avisou. Agora eu durmo no sofá-cama do escritório, entre a impressora e a tábua de passar roupa. Me senti apagado da casa. Fiquei emburrado o fim de semana inteiro, e os meus pais não entendem por quê.

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FamíliaDilema da redação

Minha mãe reorganiza a minha cozinha a cada visita: é abuso?

Minha mãe vem passar uns dias aqui em casa três ou quatro vezes por ano. Adoro a companhia dela. Mas, a cada visita, ela arruma a minha cozinha. Não é uma passadinha de pano: é uma reorganização completa. Os temperos vão para uma gaveta, as panelas mudam de armário, as canecas sobem para a última prateleira. Depois que ela vai embora, passo três semanas procurando o sal. Na última visita, ela jogou fora uma lata de chá que eu guardava para uma ocasião especial, porque estava “vencida faz tempo”. Pedi com jeitinho para ela não mexer em mais nada. Ela ficou chateada e disse que eu não sei aceitar ajuda.

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