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Quem Errou?

Brigas: dinheiro

Dinheiro é assunto delicado, mesmo quando o valor é pequeno. A conta do restaurante dividida igualmente quando você só pediu uma salada. O amigo que adiantou o dinheiro do fim de semana e ainda está esperando o Pix. A vaquinha do presente coletivo em que alguns não colocaram nada. A conta conjunta que esvazia rápido demais. Os gastos da viagem que alguém recalcula na volta.

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9 histórias

DinheiroDilema da redação

Vendi minha bike para um amigo e ela quebrou: eu pago o conserto?

Vendi minha bicicleta antiga para um amigo por R$ 800. Ela andava muito bem, eu ainda tinha ido trabalhar com ela na véspera. Deixei ele testar, demos uma volta no bairro juntos, ele ficou encantado. Duas semanas depois, ele me manda uma foto: a corrente saiu, e alguma coisa no pedivela está fazendo um barulho estranho. O mecânico cobrou R$ 300. Ele me pede para pagar metade, porque, segundo ele, o problema “já devia estar lá”. Eu vendi uma bike usada, a preço de amigo, e não faço ideia de como ele usou a bicicleta nessas duas semanas.

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DinheiroDilema da redação

Quebrei o vaso dela e paguei o preço que achei na internet: justo?

Num jantar na casa de uma amiga, fiz um gesto largo contando uma história e derrubei um vaso que estava em cima do aparador. Em mil pedaços. Pedi desculpas na hora e me ofereci para pagar. Ela disse que ele valia R$ 600, vaso de designer. No dia seguinte, procurei o modelo na internet. Achei novo por R$ 180, numa grande loja de decoração. Mandei R$ 180 no Pix com o link, dizendo que ela podia até comprar um igualzinho. Ela respondeu, ofendida, que não era o mesmo, que o dela era uma peça mais antiga. Acho que ela inflou o preço.

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DinheiroDilema da redação

Pago o pãozinho no cartão e o padeiro bufa: ele tem razão?

Nunca ando com dinheiro. Nem moeda, nem nota. Pago tudo no cartão, por aproximação, até os meus dois pães franceses de manhã, R$ 4. O dono da padaria, que é simpaticíssimo, bufa toda vez. Uma manhã, ele acabou dizendo, com jeitinho mas na frente da fila inteira: “Sabe, cartão é mais a partir de dez reais.” Só que não tem nenhuma plaquinha no balcão. Respondi que não tinha dinheiro, e que não ia comprar um bolo inteiro só para chegar no mínimo. Ele passou o cartão, mas ficou com cara de contrariado. Não sei mais se troco de padaria ou se passo no caixa eletrônico.

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DinheiroDilema da redação

Uber dividido depois do show: moro mais longe, pago mais?

Depois de um show, voltamos os quatro de Uber, porque o metrô já tinha fechado. O motorista deixou uma amiga em dez minutos, outro amigo um pouco mais longe, depois uma terceira pessoa. Eu fui o último: quarenta minutos de trajeto no total. A corrida deu R$ 120. Propus dividir por quatro, como sempre fazemos: R$ 30 para cada. A amiga que desceu primeiro achou injusto. Ela andou dez minutos e pagaria o mesmo que eu, que fiz o trajeto inteiro. Ela propõe pagar pela distância. Eu acho que todo mundo usou o mesmo carro, e que sem o grupo ninguém teria chamado o Uber.

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DinheiroDilema da redação

Organizo a pelada de quinta e jogo de graça: estou abusando?

Há duas temporadas eu organizo o futebol society de quinta à noite. Reservo a quadra, corro atrás de quem não confirma, arrumo um substituto quando alguém desiste uma hora antes. A quadra custa R$ 360. Somos dez jogadores: peço R$ 40 para cada um dos outros nove, e eu não pago. Nunca escondi, mas também nunca avisei. Para mim, é a pequena recompensa de quem organiza. Um cara novo viu o preço no site do society e fez a conta em voz alta no vestiário. Desde então, o clima ficou estranho. Alguns dizem que eu devia ter avisado. Eu acho que, sem mim, nem teria jogo.

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DinheiroDilema da redação

Presente coletivo de R$ 1.600 escolhido sem perguntar: exagerei?

Nos trinta anos do meu melhor amigo, eu quis fazer algo marcante. Ele sonha há anos em voar de balão em Boituva. Achei um pacote por R$ 1.600 e reservei na hora, com medo de perder a data. Depois escrevi no grupo dos amigos: “Presente garantido, dá R$ 200 para cada, vou mandar a chave Pix!” Somos oito, contando comigo. Três pagaram. Dois já tinham comprado outra coisa. Os outros dois disseram que gostariam de ter sido consultados antes. Resultado: estão faltando R$ 800, que talvez eu nunca veja de volta. Acho que meus amigos têm pouco espírito de equipe.

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DinheiroDilema da redação

Cobrei no Pix um café com pão de queijo: fui mesquinha?

Eu e uma amiga sempre nos encontramos no sábado de manhã na padaria da esquina. Da última vez, ela tinha esquecido o cartão. Paguei o café e o pão de queijo dela: R$ 12. À noite, mandei uma cobrança no Pix, com uma figurinha de pão de queijo para dar um toque de humor. Faço isso com todo mundo: sou organizada, e valor pequeno vai acumulando. Ela pagou na hora, mas escreveu: “Sério?” Depois me lembrou que, no mês anterior, tinha pagado meu estacionamento, R$ 40, sem me pedir nada. Eu não lembrava de jeito nenhum. Respondi que era só ela ter cobrado.

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DinheiroDilema da redação

Ele me deve R$ 500 e comprou um tênis novo: eu cobro?

Há seis meses, um amigo me pediu R$ 500 emprestados para consertar o carro. Ele precisava do carro para trabalhar, então fiz o Pix na mesma noite. Ele disse: “Te devolvo assim que der.” Desde então, nada. Não cobrei, por educação. Aí ele apareceu num churrasco com um tênis novinho, edição limitada que ele esperava fazia tempo. Mostrou para todo mundo: R$ 900. À noite, mandei uma mensagem, sem agressividade: “Que legal o tênis! Acha que consegue me pagar logo?” Ele respondeu que eu estava vigiando os gastos dele, e que isso não se faz.

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DinheiroDilema da redação

Recusei dividir a conta por igual no aniversário: sou pão-dura?

Éramos oito num restaurante, no aniversário de uma amiga. Pedi uma salada e uma água: fim de mês apertado, eu tinha avisado assim que cheguei. Do meu lado, um amigo de um amigo pediu uma moqueca de camarão “para dois”, comeu sozinho e ainda emendou uma sobremesa. Na hora de pagar, alguém sugere: “Divide por oito, é mais fácil!” Dava R$ 130 pra cada um. Minha salada custava R$ 40. Falei, educadamente, que preferia pagar o que eu consumi, mais a minha parte do bolo de aniversário. Clima gelado na mesa. O amigo do amigo suspirou: “Ah, agora vai sair a calculadora?”

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Essas brigas viram mal-entendido rápido porque o dinheiro fala de outra coisa: de justiça, de respeito, de confiança. Cada um tem a sua relação com o gasto, muitas vezes herdada da família. O que parece normal para um parece mão de vaca ou gastança para o outro. E como ninguém tem coragem de falar antes, fala mal, depois.

Para votar com justiça, procure primeiro o que tinha sido combinado e se isso estava claro para todos. Leia as duas versões, sabendo que a mesma pessoa conta as duas. Depois, separe o motivo, o valor e o combinado, do jeito. Cobrar alguns reais na frente do grupo todo não é a mesma coisa que mandar uma mensagem no privado. Lembre que os votos são opiniões de visitantes, não conselhos financeiros.

Perguntas frequentes

Dividir a conta igualmente ou cada um paga o que consumiu?

Os dois jeitos têm defesa, desde que isso seja dito antes de pedir. Dividir igualmente simplifica a noite; cada um pagar o seu protege quem está com o orçamento apertado. O problema aparece mesmo quando a regra muda na hora da conta.

Como cobrar um dinheiro emprestado a alguém próximo?

Escolha um momento calmo e fale no privado. Lembre o valor de forma simples, sem bronca, e proponha uma solução, por exemplo devolver em algumas vezes pelo Pix. O constrangimento costuma ser dos dois lados: quem deve também pensa nisso.

Como falar de dinheiro no casal sem brigar?

Fale dos planos em vez dos gastos: o que vocês querem fazer juntos e o que cada um quer manter só para si. Reserve um momento para conversar, longe dos boletos do dia. Cada casal encontra o seu sistema; o importante é que ele seja escolhido a dois.

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