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Quem Errou?

Brigas: vizinhos

Vizinho a gente não escolhe, mas encontra todo dia. Os motivos de briga são conhecidos: barulho de passos ou de música, a furadeira no domingo, a vaga de garagem, a árvore que invade o quintal, a fumaça do churrasco, a encomenda que sumiu na portaria. Num instante, a gente passa do “bom dia” educado para a reclamação no grupo do condomínio.

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8 histórias

VizinhosDilema da redação

Meu vizinho põe funk alto e eu respondi com forró: quem errou?

Meu vizinho de baixo escuta funk todo sábado à tarde. Alto o bastante pra fazer os copos tremerem no meu armário. Fui falar com ele uma vez: ele abaixou um pouco e, no sábado seguinte, aumentou de novo. Então eu revidei. Desenterrei uma coletânea antiga de forró do meu avô e coloquei no último volume na minha caixa de som, virada pro chão. Sanfona contra funk, todo sábado. Minha namorada acabou passando os fins de semana na casa da irmã. Meu vizinho deixou um bilhete: “Seu forró é insuportável.” Achei uma cara de pau.

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VizinhosDilema da redação

Vasos de planta contra carro: a guerra pela vaga na frente de casa

Na frente da minha casa tem uma vaga na rua. Não é minha, eu sei. Mas desde sempre é ali que eu estaciono. Um vizinho novo começou a parar o carro dele ali, mesmo tendo garagem. Pra guardar a vaga, coloquei dois vasos grandes de planta quando saio. Ele tirou e pôs na calçada. Eu coloquei de volta. Ele tirou de novo, e ainda regou as plantas no caminho, o que eu achei uma provocação e tanto. Desde então, a gente se vigia pela janela. Minha mulher diz que parecemos duas crianças brigando no recreio.

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VizinhosDilema da redação

O galo do vizinho canta às 5h da manhã: tenho direito de reclamar?

Depois de anos na cidade grande, realizei um sonho: uma casinha no interior, no sossego. Bom, sossego até as 5h da manhã. Às 5h, o galo do vizinho canta. Depois canta de novo. Até as 7h, mais ou menos a cada cinco minutos. Comprei protetor de ouvido, depois mandei instalar janela antirruído no quarto. Não adianta nada: esse galo tem voz de cantor de ópera. Fui falar com meu vizinho pra perguntar se ele podia fechar o galinheiro à noite, ou deixar o galo preso até as 7h. Ele me olhou como se eu tivesse pedido pra ele desligar o sol.

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VizinhosDilema da redação

O vizinho toca a mesma valsa no piano toda noite: posso reclamar?

Meu vizinho do prédio da frente, do outro lado da área interna, está aprendendo piano. Ele toca todas as noites, das 19h às 20h, quase sempre de janela aberta, porque faz calor. Não tenho nada contra música. Mas faz quatro meses que ele treina a mesma valsa. Sempre a mesma. E ele sempre trava no mesmo trecho, recomeça, trava de novo. Já sei de cor. Cantarolo no trabalho. Escuto quando estou pegando no sono. Pensei em deixar um bilhete pedindo pra ele fechar a janela, ou trocar de música. Meu marido acha que seria mesquinho, já que ele toca num horário totalmente razoável.

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VizinhosDilema da redação

Peço pra entregar tudo na vizinha aposentada: estou abusando?

Trabalho o dia inteiro e compro muito pela internet. Meu prédio é pequeno, sem portaria, e minha vizinha de porta é aposentada e quase sempre está em casa. Um dia, o entregador deixou uma encomenda minha com ela, e ela guardou com todo o carinho. Achei a ideia genial. Desde então, escrevo nas instruções de entrega: “deixar com a vizinha da frente”. Ela guarda tudo, eu busco os pacotes à noite e, de vez em quando, levo uma caixa de bombom pra agradecer. Ela nunca disse não. Mas fiquei sabendo pelo zelador que ela não tem mais coragem de sair pra ir ao mercado de manhã, com medo de perder algum entregador. Eu nunca pedi pra ela ficar em casa!

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VizinhosDilema da redação

Fiz doce com as mangas do pé do vizinho: eu errei?

Meu vizinho tem uma mangueira linda. Um galho enorme passa por cima do muro e fica sobre o meu quintal, e todo fim de ano ele vem carregado de manga. Ele nunca colhe: as mangas caem e se esborracham na minha grama. Este ano, resolvi aproveitar. Colhi tudo o que estava do meu lado, fiz doze potes de doce de manga e dei de presente pros meus amigos. Meu vizinho me viu colhendo da janela. Veio falar comigo, meio seco, dizendo que eu podia ter pedido. Não entendo: só mexi no galho que fica do meu lado.

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VizinhosDilema da redação

A roupa da vizinha de cima pinga na minha sacada: eu tenho razão?

A vizinha de cima pendura a roupa num varal preso na sacada dela. Bem em cima da minha. Toda vez que ela lava roupa, a água pinga na minha mesinha, nas minhas almofadas e, duas vezes, na minha cabeça enquanto eu tomava café da manhã lá fora. Uma vez, uma meia caiu dentro da minha tigela de cereal. Devolvi pra ela, com toda a educação, num saquinho. Ela pediu desculpas rindo. Mas nada mudou. Fui sugerir que ela torcesse mais a roupa, ou que colocasse o varal do outro lado. Ela disse que não tem escolha e que é só água.

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VizinhosDilema da redação

Meu vizinho usa a furadeira todo domingo de manhã: eu surto ou não?

Meu vizinho de andar é um faz-tudo apaixonado. O problema é que ele faz tudo no domingo de manhã. Às 9h em ponto, a furadeira começa. Depois o martelo. Depois a furadeira de novo. Faz quase dois anos. Não sei o que ele está construindo, mas nesse ritmo já dava pra ter levantado outro apartamento. Domingo é meu único dia pra dormir. Primeiro, deixei um bilhete educado por baixo da porta. Depois fui falar com ele. Ele respondeu que trabalha a semana inteira e que domingo é o único dia que ele tem pra adiantar a obra. Tô com vontade de dar uma matrícula de academia pra ele, só pra ele se ocupar em outro lugar.

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Essas brigas viram mal-entendido rápido porque cada um se sente em casa, e com razão. Um ouve uma barulheira, o outro só está vivendo a sua noite. Muitas vezes, ninguém conversa direto: a gente bufa, bate no teto, reclama com o síndico ou com o resto do prédio. Aí cada silêncio vira prova de má-fé.

Para votar com justiça, leia as duas versões lembrando que elas vêm da mesma pessoa. Separe o motivo, o incômodo real, do jeito: o bilhete anônimo, a porta batida, a bronca na frente de todo mundo. Um vizinho pode ser barulhento de verdade, e o outro pode perder a paciência rápido demais. Por fim, um ponto importante: o seu voto dá uma opinião de bom senso. Ele não diz o que preveem a lei ou o regimento interno do condomínio.

Perguntas frequentes

Como falar com um vizinho barulhento sem começar uma guerra?

Vá falar com ele pessoalmente, num momento calmo, em vez de bater no teto. Muita gente não sabe que está sendo ouvida. Descreva o barulho e o horário, sem acusar, e procurem juntos uma solução.

Deixar um bilhete por baixo da porta: boa ou má ideia?

Um bilhete pode ajudar se o vizinho for difícil de encontrar. Seja educado, assine e proponha conversar pessoalmente. Um bilhete anônimo ou seco costuma ser recebido como um ataque.

Como manter uma boa convivência depois de uma briga?

Um simples bom-dia no dia seguinte mostra que a briga acabou. Agradecer quando o vizinho fez um esforço conta muito. Os pequenos gestos de boa vizinhança deixam a próxima conversa bem mais fácil.

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