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Quem Errou?

Brigas: sogros

Com os sogros, motivo de atrito é o que não falta. A visita sem avisar no domingo de manhã. O conselho que ninguém pediu sobre a comida ou a criação dos filhos. A divisão das festas entre as duas famílias. O almoço de domingo na casa da sogra que virou obrigação. O presente que ofende sem querer. E, no meio de tudo, seu parceiro ou sua parceira, que só queria que todo mundo se desse bem.

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SogrosDilema da redação

Cuidar do cachorro do meu cunhado por três semanas: eu aceito?

Meu cunhado vai passar três semanas fora do país a trabalho. Pediu para a gente ficar com o cachorro dele. Um cachorro grande, muito bonzinho, muito agitado, que precisa de dois passeios longos por dia. Meu marido disse sim na hora, sem falar comigo. Eu fiquei na dúvida. A gente mora num apê de um quarto no terceiro andar, eu trabalho de casa, e sei muito bem quem vai cuidar do passeio do meio-dia. Da última vez que ficamos com ele num fim de semana, ele comeu uma almofada. Meu marido diz que é família e que não dá para recusar. Sinto que me colocaram diante do fato consumado.

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SogrosDilema da redação

Sair às 5h ou às 10h? Com meu sogro, a gente foi em dois carros

Todo mês de janeiro, a gente encontra a família do meu marido em Florianópolis, a oito horas de estrada. Fazemos a viagem junto com meu sogro, que mora perto da gente. Ele quer sair às 5h da manhã, “para fugir do trânsito”. Eu quero sair às 10h, depois de um café da manhã decente, porque às 5h eu não consigo juntar duas palavras. Este ano, ninguém cedeu. Resultado: dois carros. Ele saiu às 5h, a gente às 10h. Ele chegou às 13h e mandou uma foto de sunga na beira da piscina. A gente chegou às 21h, depois de seis horas de engarrafamento na BR.

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SogrosDilema da redação

Minha sogra quer que eu a chame de “mãe”: devo aceitar?

Estou com meu namorado há seis anos e me dou bem com a mãe dele. Ela é carinhosa, nunca esquece meu aniversário e me chama de “querida”. Num domingo, na hora da sobremesa, na frente de todo mundo, ela me pediu para chamá-la de “mãe”. Falou com muito carinho. Eu gaguejei alguma coisa. O problema é que eu já tenho mãe, sou muito próxima dela, e essa palavra, para mim, é só dela. Então continuo chamando minha sogra pelo nome. Ela parece um pouco magoada. Não quero chateá-la, mas também não quero me forçar.

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SogrosDilema da redação

Cochilo no sofá dos meus sogros todo domingo: é falta de educação?

Uma vez por mês, a gente almoça na casa dos meus sogros no domingo. O almoço começa ao meio-dia e termina lá pelas 15h. Depois, todo mundo fica na mesa jogando buraco até a noite. Eu não jogo buraco, e depois de uma macarronada com frango assado daquelas, eu desmaio de sono. Então eu me ajeito no sofá da sala e tiro um cochilo de uma ou duas horas. Não incomodo ninguém, não faço barulho e acordo na hora do cafezinho. Meu marido disse que os pais dele acham isso uma desfeita. Não entendo: prefiro dormir em paz a fingir interesse no baralho.

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SogrosDilema da redação

Preferi o panetone do mercado ao da minha sogra: fui sincera demais?

Todo Natal, minha sogra faz o panetone caseiro dela. É o orgulho da casa. Este ano, ela serviu dois panetones na ceia: o dela e um comprado no mercado, “para comparar”. Pediu a opinião sincera de cada um. Todo mundo disse que o dela era melhor. Eu quis ser honesta. Disse que preferia o do mercado, porque era mais fofinho. Silêncio total. Meu marido me fuzilou com o olhar. Minha sogra sorriu, mas me serviu fatias minúsculas de sobremesa até o fim das festas. Ela pediu uma opinião sincera, não pediu?

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SogrosDilema da redação

Meu cunhado acha que eu sou o suporte técnico da família: chega?

Eu trabalho com TI. Para a família da minha esposa, isso quer dizer que eu sei consertar tudo: impressora, roteador, TV, celular que “faz um barulho estranho”. Meu cunhado é o campeão. Em todo almoço de domingo na casa da sogra, ele chega com o notebook debaixo do braço, e eu passo a tarde instalando atualização enquanto o resto da família joga truco. No último aniversário do meu sogro, eu disse não. Com jeitinho, mas não. Passei o contato de um técnico do bairro. Ele ficou de cara fechada o almoço inteiro, e minha sogra disse que eu sou “pouco família”.

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SogrosDilema da redação

Meu sogro fez uma horta no nosso gramado sem pedir: e agora?

Eu e o meu marido finalmente temos uma casa com um quintalzinho. Um gramado, dois arbustos, uma mesa. A gente adora essa simplicidade. Durante as nossas férias, o meu sogro veio “dar uma olhada na casa”. Quando voltamos, um quarto do gramado tinha sumido. No lugar: uma horta. Tomate, abobrinha, feijão-vagem, e um espantalho vestido com uma camisa velha do meu marido. Ele estava muito orgulhoso. Eu fiquei em choque. Não tenho a menor vontade de cuidar de uma horta, e eu gostava do meu gramado. Falei isso para ele, com educação. Ele respondeu que, daqui a três meses, a gente ia ver quem ri por último.

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SogrosDilema da redação

Minha sogra aparece sem avisar com a chave reserva: é abuso?

Quando a gente se mudou, demos uma chave para a minha sogra, “para emergências”. Ela mora a dez minutos. Desde então, a emergência acontece mais ou menos uma vez por semana. Ela passa enquanto a gente trabalha para “regar as plantas”. As nossas plantas são de plástico. Ela sabe. Às vezes, deixa uma travessa de comida na geladeira, o que é um amor, e às vezes dobra a nossa roupa, o que é mais estranho. O porteiro já cumprimenta ela pelo nome. Um dia, cheguei mais cedo e dei de cara com ela vendo novela, no nosso sofá, com um cafezinho. Pedi ao meu marido para pegar a chave de volta. Ele acha que eu estou exagerando.

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Essas brigas viram mal-entendido rápido porque duas culturas de família se encontram. Numa família, chegar sem avisar é sinal de carinho. Na outra, é invasão. Ninguém tem necessariamente más intenções, mas cada um segue as próprias regras, sem nunca ter falado delas em voz alta.

Para votar com justiça, pergunte primeiro quem está mesmo em desacordo. Você e a sua sogra? Ou você e o seu parceiro, que não disse nada? Leia as duas versões, lembrando que a mesma pessoa escreveu as duas. Depois, separe o motivo do jeito. Uma sogra pode ter razão no motivo e ser desastrada no jeito de falar. O contrário também acontece, claro. E se dois costumes se chocam sem maldade, “Ninguém errou” continua sendo uma opção.

Perguntas frequentes

Como colocar limite na sogra sem ofender?

Fale do que vocês precisam, não do que ela faz de errado: “a gente gostaria de ser avisado antes de uma visita” cai melhor do que “a senhora aparece sem avisar toda hora”. O ideal é que seu parceiro ou sua parceira converse com a própria família. Um limite se coloca uma vez, com calma, e depois se relembra sem perder a paciência.

Meu parceiro nunca me defende: quem está errado?

Muitas vezes, quem está no meio tem medo de magoar um dos lados e prefere ficar calado. Esse silêncio é sentido como abandono. O melhor é decidir a dois o que vocês aceitam e depois falar a mesma coisa, juntos.

Como dividir as festas de fim de ano entre as duas famílias?

Não existe regra justa para todo mundo. Alguns casais alternam a cada ano, outros dividem a data ao meio, ceia com uma família e almoço com a outra, outros criam a própria festa. O importante é decidir a dois, com antecedência, e avisar juntos.

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