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Quem Errou?

Brigas: filhos

Filhos são a melhor coisa do mundo e um motivo inesgotável de desacordo. O tempo de tela. A hora de dormir. Os doces na casa dos avós. A lição de casa, a mesada, o castigo que um acha duro demais e o outro acha mole demais. O pai ou a mãe do amiguinho que deixa fazer tudo. E a grande questão das noites agitadas: quem levanta desta vez?

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8 histórias

FilhosDilema da redação

Videogame dado ou emprestado? A mãe do amigo quer de volta

Meu filho de nove anos voltou da casa de um amiguinho com um jogo para o videogame dele. Me disse, todo orgulhoso: “Ele me deu, não joga mais.” Eu não conferi, é um jogo de uns R$ 150, nada de extraordinário. Um mês depois, a mãe do amigo me manda mensagem no WhatsApp pedindo o jogo de volta, porque era um empréstimo. Meu filho jura que o amigo disse “pode ficar pra você”. Nesse meio-tempo, ele jogou bastante, e a caixa ficou um pouco estragada. Respondi para a mãe que eu não queria chamar meu filho de mentiroso, e que as crianças tinham combinado entre elas.

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FilhosDilema da redação

Meus pais cuidam dos meus filhos: minha lista de regras ofendeu

Meus pais ficam com os meus dois filhos toda quarta, do almoço até a noite, de graça, e eu sou muito grata por isso. Mas toda vez as crianças voltam depois de três desenhos, dois lanches e um jantar de miojo. Chegam elétricas e não querem mais comer legume em casa. Então eu fiz uma listinha: no máximo uma hora de tela, um lanche só, legume no almoço e soneca para a menorzinha. Imprimi e colei na geladeira deles. Minha mãe levou muito a mal. Disse que criou três filhos sem lista nenhuma e que não era minha babá. Desde então, o clima nas quartas está gelado.

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FilhosDilema da redação

Nosso bebê com o mesmo nome do cachorro da minha amiga: problema?

Eu e meu marido escolhemos o nome do bebê que está para chegar. Um nome delicado, meio antigo, que a gente ama há anos, muito antes de conhecer o cachorro em questão. Porque sim: minha melhor amiga tem um golden retriever com exatamente esse nome. Quando a gente anunciou no almoço de domingo, ela caiu na risada, depois viu que era sério. Disse que achava estranho, que as pessoas iam confundir no parque, e que o cachorro não ia mais saber quando ela estivesse chamando. Ela não está brava, mas toca no assunto toda vez. Eu acho que nome não é de ninguém, muito menos de cachorro.

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FilhosDilema da redação

O tablet da minha filha no restaurante: a mesa ao lado exagerou?

A gente estava num restaurante em Moema com a nossa filha de quatro anos. O atendimento estava demorando, ela começou a subir na cadeira e a reclamar. Para ter um pouco de paz, eu dei o tablet com o desenho favorito dela. Calma na hora. Só que eu não tinha pensado no fone, e o som estava bem alto. Depois de vinte minutos, o casal da mesa ao lado se virou para a gente: “Vocês poderiam abaixar o som, por favor? A gente está ouvindo essa música desde o começo.” Eu respondi que era isso ou gritaria, e que achava que eles iam preferir a música. Eles pediram para trocar de mesa.

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FilhosDilema da redação

Fiz a maquete de vulcão do meu filho no lugar dele: foi grave?

Meu filho de dez anos tinha que entregar uma maquete de vulcão na escola. Ele começou no domingo à noite, na véspera, claro. Às 21h, chorava na frente de um monte disforme de massinha caseira. Mandei ele dormir e terminei a maquete sozinha: cratera, lava escorrendo em tinta, plaquinha explicativa, e até uma mistura de vinagre com bicarbonato para a erupção. Ele tirou 9,5, e a professora mostrou a maquete para as outras turmas. Meu marido acha que eu trapaceei no lugar dele e que isso não ensina nada. Eu acho que salvei uma noite e uma criança exausta.

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FilhosDilema da redação

Desconto R$ 2 da mesada do meu filho a cada esquecimento: exagero?

Meu filho de treze anos recebe R$ 100 de mesada por mês. Ele esquece tudo: a garrafinha na escola, as chaves, o casaco na casa de um amigo, a luz do banheiro acesa. Para ele ganhar responsabilidade, criei um sistema de multas: R$ 2 por esquecimento, anotados num quadro na cozinha. Este mês, ele terminou com R$ 30. Ele protestou, dizendo que era “assalto”. Respondi que, na vida real, esquecimento também custa dinheiro. Meu marido acha que estou exagerando, e que o quadro na cozinha, na frente das visitas, é humilhante. Eu acho que funciona: ele lembrou da garrafinha três dias seguidos.

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FilhosDilema da redação

Carona do judô: cansei de ser sempre eu a dirigir

Minha filha faz judô às quartas com o filho de outra mãe da escola. No começo do ano, ela me perguntou se eu podia levar o menino “de vez em quando”, já que eu vou de qualquer jeito. Eu disse sim. Há três meses, é toda quarta, ida e volta, sem exceção. O pequeno é um amor, o problema não é ele. Mas às vezes tenho que sair uma hora mais cedo do trabalho, e faço um desvio de vinte minutos para deixar ele em casa. Propus revezar uma semana sim, outra não. Ela respondeu que realmente não tem tempo, e que isso não muda muita coisa para mim, já que eu já vou.

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FilhosDilema da redação

Um celular de flip para o filho no 6º ano: sou rígida demais?

Meu filho vai entrar no 6º ano. Ele pede um smartphone há meses, porque “todo mundo tem”. Entendo que ele precise me ligar na saída da escola, ainda mais porque vai sozinho de ônibus. Então comprei um celular de flip: ligação, SMS, uma bateria que dura uma semana, e um jogo da cobrinha que ele acabou adorando. O smartphone fica para o 8º ano, a gente volta a conversar. Ele chorou duas noites, dizendo que seria “o único com celular de vô”. O pai dele acha que estou isolando nosso filho do grupo de WhatsApp da turma, onde tudo se combina.

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Essas brigas viram mal-entendido rápido porque cada um acha que está protegendo a criança. Cada um repete o que viveu na infância, ou faz de propósito o contrário. O cansaço não ajuda. E quando o desacordo explode na frente da criança, logo vira questão de orgulho: é preciso ganhar, e não mais só decidir.

Para votar com justiça, parta do princípio de que os dois adultos querem o bem da criança. Leia as duas versões, sabendo que a mesma pessoa escreveu as duas. Separe o motivo, a regra em jogo, do jeito, por exemplo desautorizar o outro na frente da criança ou decidir sozinho no seu canto. Por fim, uma regra que não se discute aqui: nenhuma história pode permitir reconhecer uma criança. Nem nome, nem escola, nem cidade, nem detalhe preciso demais.

Perguntas frequentes

O que fazer quando a gente discorda na frente dos filhos?

Se der, deixe o desacordo para depois, sem a criança por perto. Uma frase como “a gente conversa sobre isso depois, nós dois” evita que um desautorize o outro na frente dela. Depois, decidam juntos uma regra comum e sigam essa regra os dois.

Os avós não respeitam as nossas regras: como falar com eles?

Primeiro agradeça a ajuda, depois explique a regra e por que ela é importante para vocês. Separe o essencial do resto: uns doces a mais na casa da vó nem sempre valem uma briga. Fique com as duas ou três regras que importam de verdade.

Posso contar uma briga que envolve uma criança?

Pode, se a criança não puder ser reconhecida: nem nome, nem escola, nem cidade, nem descrição precisa. Conte o desacordo entre os adultos, não a vida da criança. Histórias que expõem um menor de idade são recusadas.

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