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Quem Errou?

Brigas: casal

No casal, quase nunca se briga por um grande motivo. Na maioria das vezes, é a louça largada na pia, o celular na mesa do jantar, o atraso para sair ou o episódio da série assistido escondido. De fora, parece bobagem. De dentro, pode estragar a noite inteira.

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9 histórias

CasalDilema da redação

Meu namorado ainda divide a conta da Netflix com a ex: é normal?

Uma noite, fui colocar um filme na conta da Netflix do meu namorado. E aí dou de cara com um perfil decorado com um coraçãozinho. É o da ex dele. Eles terminaram há mais de dois anos, e ela continua assistindo às séries dela na conta dele. Ele não vê problema nenhum. Eu não consigo parar de pensar nisso. Vi que ela estava assistindo a uma série que a gente também ama, e senti como se ela tivesse se instalado na nossa sala. Pedi para ele apagar o perfil. Ele respondeu que eu estava criando um roteiro na minha cabeça. Bem no tema.

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CasalDilema da redação

Meu namorado adia o despertador sete vezes: escondi o celular dele

Meu namorado acorda às 7h. Na teoria. Na prática, o despertador dele toca às 6h15 e depois a cada cinco minutos, sete vezes seguidas. Eu só começo a trabalhar às 9h. Então, toda manhã, eu vivo sete despertadores. Já tentei de tudo: conversa calma, protetor de ouvido, ameaça de dormir na sala. Nada. Aí, uma noite, deixei o celular dele na cozinha, para ele ser obrigado a levantar para desligar. Só que ele não ouviu nada. Acordou às 8h20, em pânico, pegou trânsito e chegou atrasado no trabalho. Ele está furioso. Eu raramente dormi tão bem.

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CasalDilema da redação

Meu namorado quer um segundo gato, eu não: quem deve ceder?

A gente tem um gato, ele tem oito anos e é perfeito. Dorme, come e julga todo mundo do alto do guarda-roupa. Já o meu namorado sonha com um segundo gato. Ele me manda fotos de filhotes para adoção várias vezes por dia, com mensagens tipo “olha essas patinhas”. Eu digo não. O nosso apê tem 45 metros quadrados, a gente viaja muito no fim de semana, e o nosso gato já odeia o gato do vizinho, através do vidro. Tenho medo de que a convivência vire um drama. Ele me acha estraga-prazeres. Eu acho que não se adota um animal por impulso.

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CasalDilema da redação

Ar no 18 ou no 23: a guerra do controle remoto aqui em casa

No nosso apê, tem um ar-condicionado e dois lados. Eu sempre sinto frio. Com o ar no 18, eu vivo enrolada numa manta, de meia grossa e moletom com capuz na sala. Eu peço 23. Já o meu namorado sempre sente calor. No 23, ele diz que o ar está “desligado” e dorme sem camiseta, em cima do lençol. Ele acabou deixando no 18 e escondendo o controle remoto atrás de um vaso de planta. Eu achei. Desde então, a gente sobe e desce a temperatura várias vezes por noite, sem dizer nada, como dois espiões. Ele diz que eu posso vestir mais um moletom. Eu respondo que ele pode ficar de bermuda.

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CasalDilema da redação

Digo “tanto faz” e recuso todos os restaurantes dele: exagero?

Na sexta à noite, meu namorado pergunta onde eu quero jantar. Eu sempre respondo a mesma coisa: “Tanto faz, você que sabe.” E, na hora, eu acho isso mesmo. Ele sugere a pizzaria: ah, fomos lá há pouco tempo. O japonês? Muito longe. O árabe? Não estou a fim de esfiha. Depois de vinte minutos, ele sugere o x-tudo da lanchonete da esquina, e aí eu digo sim, toda feliz. Ele fica exausto. Diz que é uma caça ao tesouro sem pista. Eu acho que tenho o direito de não saber o que quero, mesmo sabendo muito bem o que não quero. Não é a mesma coisa.

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CasalDilema da redação

Vendi o moletom velho do meu namorado no Enjoei: errei?

Meu namorado tem um moletom da época do colégio. Cinza, ou melhor, já foi cinza. As mangas estão furadas, a gola sumiu, e ele usa todo fim de semana. Durante três anos, sugeri trocar. Cheguei a dar um novo de presente, quase idêntico, que ele nunca usou. Então, num sábado em que ele estava na pelada com os amigos, anunciei o moletom no Enjoei, num lote de roupas velhas, por R$ 5. Vendeu em uma hora. Eu achava que ele nem ia perceber. Ele percebeu na mesma noite. Desde então, ele me olha como se eu tivesse vendido o gato.

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CasalDilema da redação

Meu marido refaz a lava-louça depois de mim: quem tem razão?

Aqui em casa, sou eu quem enche a lava-louça. E é o meu marido quem desfaz. Não para esvaziar: para refazer. Toda noite, eu escuto ele suspirar na cozinha, tirar três tigelas, mudar os copos de lugar, virar os pratos “para o lado certo”. Um dia, ele chegou a desenhar um esquema e prender com ímã na porta da geladeira. Com setas e legenda. Eu vejo que a louça sai limpa, então o meu método funciona. Ele acha que lava-louça é esporte de precisão. Acabei dizendo que, se ele refaz tudo, pode muito bem fazer tudo sozinho. Ele pareceu sinceramente ofendido.

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CasalDilema da redação

Minha namorada conta os meus micos em todo jantar: é exagero?

Minha namorada tem um talento: ela conta histórias muito bem. O problema é que, muitas vezes, as histórias são minhas. A minha primeira entrevista de emprego, em que me despedi do recrutador com um “beijo, tchau”. O dia em que fiquei preso num provador com uma calça dois números menor. Em todo jantar com os amigos, ela conta tudo de novo, com efeitos sonoros. Todo mundo ri, e eu também ria, no começo. Mas quando os colegas dela me receberam na confraternização de fim de ano me chamando de “rei do provador”, achei que tinha passado do limite. Pedi para ela parar. Ela respondeu que eu não tenho senso de humor.

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CasalDilema da redação

Meu namorado terminou nossa série escondido: fico de mal ou não?

Eu e meu namorado temos um ritual: a nossa série, à noite, juntos, no sofá. Regra de ouro: ninguém assiste a um episódio sem o outro. Uma noite, a gente coloca o penúltimo episódio. Na hora da grande reviravolta, eu dou um grito. Ele? Nada. Só balança a cabeça, tranquilo, como quem já sabia. Fui fuçar no histórico: ele tinha visto o final inteiro no trem da CPTM, de fone, vários dias antes. Desde então, fingia surpresa. Chegou a soltar um “ah, não!” duas vezes, muito convincente. Para mim, isso é pior do que assistir escondido: ele fez teatro na minha cara. Suspendi o ritual até segunda ordem.

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Essas brigas viram mal-entendido rápido porque quase nunca falam do assunto de verdade. Por trás de “você não levou o lixo para fora”, muitas vezes está “sinto que eu cuido de tudo sozinho”. Cada um responde à frase do outro, não ao que ele sente. O cansaço e a fome fazem o resto.

Para votar com justiça, leia as duas versões até o fim e lembre que uma pessoa só escreveu as duas. Separe o motivo, ou seja, quem tinha razão sobre o problema, do jeito: quem levantou a voz, quem ficou dois dias emburrado. Dá para ter razão no motivo e errar no jeito. Se a história parecer incompleta, escolha “Faltam informações”. Por fim, briga que dá medo não é assunto para votação: em caso de perigo, ligue 190, da Polícia Militar. Em caso de violência contra a mulher, o Ligue 180 atende de graça, 24 horas por dia.

Perguntas frequentes

Preciso avisar meu parceiro ou minha parceira antes de publicar a nossa briga?

Não é obrigatório, mas costuma ser mais saudável. Uma briga colocada em votação escondido pode virar uma segunda briga. Você também pode mandar o link para a pessoa, para ela votar e dizer se a versão dela está fiel.

Como retomar a conversa depois de uma votação que diz que eu errei?

Comece reconhecendo o ponto exato em que os votos dizem que você errou, sem colocar tudo em dúvida. Uma frase simples como “nisso aqui, você tinha razão” acalma mais do que um longo discurso. O voto é uma opinião, não uma sentença.

Como evitar que a mesma briga volte toda semana?

Uma briga que sempre volta costuma esconder uma necessidade não dita: tempo, ajuda, reconhecimento. Tente conversar com a cabeça fria, não na hora da crise. Uma regra simples, combinada a dois, vale mais do que uma promessa vaga.

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